
Ariádine constrói sua trajetória artística a partir da investigação entre o indivíduo e o todo, uma relação que atravessa sua linguagem e se inscreve em cada uma de suas proposições.
Sua prática se desenvolve por meio da técnica do corte em papel, conhecida como papercutting, onde cada trabalho depende da inter-relação precisa entre todas as suas partes. Em uma única folha, o gesto é definitivo: um deslize pode comprometer toda a composição. Criar, nesse contexto, é um ato de risco e presença, desenhar pelo vazio, construir pelo negativo, equilibrando delicadeza e precisão sem perder a intenção do todo.
A fragilidade do papel, longe de ser um limite, é parte essencial de sua pesquisa. É justamente nessa tensão que o corte ganha força e significado. Seu processo se inicia a partir de incisões sobre fotografias, revelando camadas ocultas de sentido, como se libertasse algo ancestral até então contido.
A partir daí, sua investigação avança para padrões de extrema minúcia e repetição, dialogando com tradições artesanais diversas e dando origem a formas orgânicas que evocam um tipo de herbário ficcional, imagens que remetem ao surgimento da vida, a um estado primordial, quase como um Big Bang sensível e íntimo.
Em sua obra, o prazer se manifesta como experiência do corpo: dos sentidos, da pele, das entranhas. É instinto, aposta, entrega, uma relação direta com o sentir.
Essa pesquisa se desdobra na coleção “TOQUE”, onde sua linguagem encontra o vestir como extensão sensorial. A coleção nasce como um convite à presença, ao contato, à percepção e à experiência do corpo como território vivo.
Por meio de sua arte, Ariádine propõe uma relação mais sensível com o mundo, onde forma, matéria e gesto se encontram para ativar experiências que vão além do olhar.
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